KAISER JR, Walter C. Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento - Um Guia para a Igreja. Tradutor: Degmar Ribas. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2009, 253p.
O autor do presente livro tem PhD pela Brandeis University é professor e presidente do Seminário Teológico Gordon-Conwell, sendo docente da cadeira Colman Mockler na área de Antigo Testamento.
O professor Walter C. Kaiser Jr não é nenhum desconhecido de nós. Ele já conquistou um espaço importante no coração do público brasileiro especialmente com a sua Teologia do Antigo Testamento (que digamos ser sua grande obra que o tornou conhecido) este erudito do Antigo Testamento tem nos ajudado a compreender mais e mais a Teologia Bíblica.
Na presente obra o dr. Kaiser nos traz uma proposta inovadora e desafiadora; no primeiro caso, torna-se inovadora porque vê nas formas de literatura presente no Antigo Testamento uma maneira de esboçar a mensagem dominical; no segundo caso, desafiadora porque o dispensacionalismo encontra-se presente em nossa cultura, onde certamente existe um real abandono do Antigo Testamento.
O livro está esboçado em duas partes: Na primeira parte o autor nos apresenta a necessidade de se pregar e ensinar usando o Antigo Testamento. A segunda, ele nos mostra como fazer isso. Ele apresenta uma conclusão e dois apêndices.
Considerando a primeira parte da obra percebemos desde a introdução do livro que Kaiser que mostrar que se é possível pregar e ensinar o Antigo Testamento numa linguagem compreensível em nossos dias (p.14); isso é possível porque a Palavra de Deus tem plena autoridade e relevância (p.15), e que a passagem bíblica possuí um único sentido a ser expresso, e isso elimina todas as interpretações subjetivistas (p.15); já vemos de imediato que o autor é compromissado a Bíblia como revelação autoritativa e final de Deus ao homem.
No primeiro capítulo ele apresenta a importância que tem o Antigo Testamento para nossos dias; o autor nos mostra que existe uma mente dispensacionalista quanto a pregação do Antigo Testamento em nossos dias (p.21-22). Kaiser nos apresenta as qualidades da palavra como: seu poder, sua condução pedagógica e redentiva até o Messias, sua relação com a vida prática, a autoridade da Bíblia na Igreja Primitiva (p.22-36).
O segundo capítulo, Walter C. Kaiser Jr, passa a nos apresentar questões básicas concernentes a Teologia do Antigo Testamento. Ele apresenta de forma formidável a discussão sobre a Teologia Bíblica veterotestamentária; e ainda, busca um centro que unifique todo o Antigo Testamento e nos diz que a melhor proposta para essa compreensão é “Plano-Promessa de Deus” (p.35-39).
Ao prosseguir a leitura Kaiser apresenta-nos que rejeita o dispensacionalismo tão dominante em nossa época. E questiona se há alguma unidade perceptível no Antigo Testamento dentro da perspectiva da promessa redentiva segue mostrando a unidade, e ponto de mostrar no Antigo Testamento não havia uma redenção por meio da Lei, mas que a Graça sempre estivera presente em todo o escopo veterotestamentário. E ainda, ensina que existe uma descontinuidade entre o Antigo e o Novo Testamento; todavia, apresenta-nos seis maneiras pelas quais a igreja tem aprendido a lidar com o Antigo Testamento. (p.40-47).
O terceiro capítulo da obra tenta lidar com a questão da relevância do Antigo Testamento para a Igreja de hoje. Ele notifica que existe tão pouca pregação e ensino no Antigo Testamento que se pergunta se o primeiro livro do pacto é realmente importante para os nossos dias. Kaiser diz que o Antigo Testamento deve ser pregado e ensinado por razões fundamentais: Cristo é o tema do Antigo Testamento; porque o Antigo Testamento foi sequestrado do púlpito; ele é maior parte das Escrituras (p.49-57).
O quarto capítulo da primeira parte trata especificamente da pregação explicativa ( embora a melhor tradução seria expositiva). Os problemas da crise da igreja contemporânea, segundo Kaiser, pode ter solução mediante a exposição da Palavra de Deus - especialmente no uso do Antigo Testamento. Ele discute neste capítulo sobre os pressupostos que o pregador deve ter, sobre a delimitação textual para a pregação, fala-nos sobre a necessidade da exegese da passagem. Indica que devemos busca o foco central da passagem a ser exposta e tudo o que é necessário para uma pregação expositiva em textos veterotestamentários (p.59-71).
Na segunda parte da obra Walter C. Kaiser jr apresenta-nos uma abordagem de como colocar isso em prática. No quinto capítulo, discorre sobre gêneros literários começando pela narrativa veterotestamentária apresentando ao leitor quais os elementos formam uma narrativa para a homília dominical tais como: a situação, o enredo, o ponto de vista, a caracterização, o ambiente, o diálogo entre outros (p.75-98).
No sexto capítulo, Kaiser segue para o gênero de sabedoria focaliza-se nos provérbios apresenta-nos as estruturas de literatura presente neste gênero, como os paralelismos sinonímicos, progressivos e antitéticos, também mostram as estruturas quiásticas (p.99-118). No sétimo capítulo, o autor nos clarifica o gênero profético com uma maestria singular discorre sobre a questão dos oráculos de julgamento e de redenção, o uso predominante de processos proféticos presentes nos profetas (p.119-139).
No oitavo capítulo somos introduzidos aos textos que tratam das lamentações e estão incluídos na discussão os textos dos Salmos que expressão o lamento tanto do indivíduo quanto da nação. O capítulo é importantíssimo porque lida com uma literatura negligenciada no púlpito. (p.141-160). O nono capítulo da obra o autor centraliza-se na Torá. Kaiser passa a discorrer sobre a relação da promessa com a Lei. Desenvolve o conceito de Gênesis 3.15 - sobre a questão da “semente” como sendo uma perspectiva promessa-cumprimento. Ele mostra a presença da narrativa nos livros da Lei - ou na Torá. Encerra este capítulo mostrando como pregar e ensinar a Lei para igreja hoje (p.164-177).
No decimo capítulo Kaiser ensina como pregar na literatura poética onde concentra-se o louvor a Deus, ou seja, o estudo e pregação dos Salmos. Ele apresenta a distinção entre as variedades dos poemas salmódicos na literatura poético, os tipos de louvor existentes são trabalhados com uma maestria singular, típico do Kaiser, de uma forma cativa e inspiradora(p.180-187).
O Antigo Testamento tem tabém um gênero conhecido como apocalíptica. Os livros veterotestamentário. Este gênero se faz presente em livros proféticos - Isaias, Daniel e Zacarias. Kaiser considera este gênero como uma “subcategoria da profecia” (p.191-201). Ele conclui observando a importância da palavra como canal modificador deste mundo, uma conclusão surpreendente - indicando que o Antigo Testamento tem seu lugar nesta transformação (p.203-209)
O livro encerra-se com dois apêndices onde Kaiser apresenta passos para uma exegese veterotestamentária digna de ser ouvida na homilia, e fundamentalmente elevada a um status singular - de Palavra de Deus digna de ser ouvida em nossa época. Seguindo o método histórico-gramatical, realizando a tarefa exegética na relação sintático-teológica (p.211-222). O ultimo apêndice é significativo a integridade bíblica é assegurada aos que seguem o pressuposto da revelação proposicional de Deus nas Escrituras, e ainda mais, dos que se enfileiram na abordagem histórica-gramatical de exegese e hermenêutica, a busca pela intenção autoral e da verdade existente e absoluta no texto sagrado tem sido tratado com maestria por Kaiser (p.223-238).
Diante disso tudo recomenda-se esse livro. Pois, é um livro que todo estudiosos de Teologia Bíblica e Exegética, pois, é um trabalho acadêmico com uma linguagem onde os crentes de nossas igrejas podem ler, entender e aplicar os conceitos presentes neste livro. Este é um livro para se ter em sua biblioteca.